Para muitos, a impressão estava condenada a desaparecer. Os números desmentem essa ideia.

O sector global de impressão de produção está em plena transformação e deverá ultrapassar 9,4 mil milhões de dólares em 2025, com um crescimento anual de 6,5%, segundo a Future Market Insights. Em Portugal, o mercado deverá aproximar-se dos 942 milhões de euros, com especial dinamismo nas áreas da embalagem, etiquetas e personalização, de acordo com a IBISWorld.

Estes dados comprovam a capacidade do sector em manter crescimento e relevância num cenário de mudança constante. A impressão já não é um negócio de volume. É um negócio de diferenciação e de valor estratégico. O que está em curso é uma transição de paradigma: da produção em massa para a produção com propósito.

A primeira grande força desta transformação é a automação. Plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial estão a reconfigurar a forma como se gere a produção. A automatização de fluxos, o planeamento dinâmico e a manutenção preditiva reduzem custos operacionais e aumentam a eficiência energética. O resultado é um novo modelo de produtividade, mais ágil e menos intensivo em recursos.

A segunda força é a personalização. Num mercado saturado de comunicação digital, o impresso recuperou valor por via da exclusividade. A impressão sob pedido e os acabamentos diferenciadores, como o verniz localizado, o relevo digital e o foil metálico, estão a impulsionar a procura global e a revalorizar o produto físico. O crescimento do segmento Web-to-Print, estimado em 10% ao ano até 2025, confirma esta tendência. Cada peça gráfica é hoje um veículo de identidade e emoção, e isso explica por que razão as marcas continuam a investir em impressão, mesmo num contexto dominado pelo digital.

A terceira força é a sustentabilidade, que deixou de ser uma vantagem reputacional, para se tornar um fator competitivo. As empresas procuram equipamentos energeticamente eficientes e materiais de baixa pegada ecológica. A inovação tecnológica tem permitido reduzir consumíveis, otimizar processos e diminuir o desperdício. O alinhamento entre produtividade e responsabilidade ambiental tornou-se um dos pilares do crescimento sustentável da indústria.

Em Portugal, o contexto é particularmente favorável. O crescimento económico projetado em 1,8% a 1,9% em 2025 (Banco de Portugal e Comissão Europeia) e a modernização tecnológica das PME gráficas criam condições para consolidar o setor. A procura por soluções integradas, nomeadamente impressão, personalização e acabamento, tem vindo a aumentar, sobretudo nos sectores do vinho, da cosmética, da alimentação e do farmacêutico, onde a embalagem é um ativo estratégico de comunicação e um vetor de valor para a marca.

A nova geração de tecnologias, desde a inkjet de alta velocidade, que começa a substituir o offset em tiragens médias, aos acabamentos digitais premium, redefine o equilíbrio entre qualidade, rapidez e sustentabilidade. O impresso torna-se um produto de design, mas também de dados: planeado com inteligência, produzido com eficiência e valorizado pela experiência que oferece.

No meio de um mundo que comunica em excesso, a impressão recupera o seu poder de pausa. Um impresso bem concebido não compete com o digital. Complementa-o. É o momento em que a mensagem ganha presença, textura e tempo de atenção. A impressão não é o contrário da transformação digital. É a sua continuação no plano físico, na matéria.

Num sector em que o imediatismo é regra, a impressão prova que o que fica é o que se toca, o que se guarda e o que se recorda. O futuro da indústria não está em imprimir mais, mas em imprimir melhor. E isso, num mundo que não para, continua a ser uma vantagem rara.

Pedro Monteiro

Deputy Managing Director da Konica Minolta Portugal e Espanha

"Num mercado saturado de comunicação digital, o impresso recuperou valor por via da exclusividade e num sector em que o imediatismo é regra, a impressão prova que o que fica é o que se toca, o que se guarda e o que se recorda. O futuro da indústria não está em imprimir mais, mas em imprimir melhor. E isso, num mundo que não para, continua a ser uma vantagem rara.
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