Hoje, praticamente todas as empresas afirmam ter “IA” integrada nos seus produtos, processos ou no que é a sua visão de futuro e onde assentam a estratégia desenhada para o curto prazo. Mas, perante esta avalanche de promessas, surge uma questão inevitável: estamos perante um investimento transformador ou apenas mais uma bolha alimentada pelo entusiasmo do mercado?
A resposta, provavelmente, está nos dois lados.
A Inteligência Artificial representa um investimento real quando resolve problemas concretos. Quando melhora a eficiência operacional, acelera processos científicos, automatiza tarefas complexas ou
aumenta a capacidade de decisão baseada em dados, o valor gerado é tangível. Empresas que utilizam IA para otimizar cadeias logísticas, apoiar diagnósticos médicos, reforçar cibersegurança ou automatizar operações repetitivas já estão a colher ganhos mensuráveis em produtividade e competitividade.
O verdadeiro impacto da IA não está apenas na inovação “visível”, mas sobretudo na capacidade silenciosa de transformar operações internas.
Tal como aconteceu no século XIX com a eletricidade ou no século XX com a internet, agora no século XXI as maiores mudanças acabaram por surgir menos do efeito mediático e exponencial inicial e mais na integração estrutural da tecnologia no quotidiano das organizações e no final na vida do dia a dia das pessoas.
No entanto, seria ingénuo ignorar o outro lado do fenómeno.
O mercado vive atualmente um ciclo de hype intenso (forma como as novas tecnologias são percecionadas ao longo do tempo, ou o que chamamos vulgarmente de moda). Muitas empresas utilizam o termo “IA” como argumento de marketing, mesmo quando a componente tecnológica é limitada ou pouco diferenciadora. Em alguns casos, a simples associação ao tema serve para captar investimento, aumentar a valorização ou gerar atenção mediática. A pressão para “ter IA” tornou-se tão forte que, em certos setores, o discurso parece avançar bem mais depressa do que a maturidade real das soluções e até mesmo da capacidade de adoção das ferramentas por parte das empresas.
Esta dinâmica não é nova.