Há uma pergunta que passou a ouvir-se cada vez mais nas reuniões com empresas e clientes. Durante anos, o que se queria saber era qual a próxima tecnologia a adotar ou como acelerar a transformação digital. Hoje, a questão é outra, mais desconfortável: quanto tempo é que a empresa aguentaria a funcionar se essa tecnologia, de repente, deixasse de responder?
Pensemos numa linha de produção que para. Num sistema logístico que deixa de comunicar. Numa equipa comercial que fica sem acesso à informação de que precisa para trabalhar. Basta uma falha para perceber que o problema raramente fica contido no sistema afetado. Alastra às operações, às decisões, à relação com quem depende da empresa. E é aí que deixa de ser um assunto do departamento de informática para passar a ser um assunto de quem gere o negócio.
É esta perceção, mais do que o aumento das ameaças digitais, que explica por que razão a ciber-resiliência subiu na agenda. A transformação digital acelerou as empresas. O que começa agora a distingui-las é outra coisa: a capacidade de manter esse ritmo quando alguma coisa corre mal.
E alguma coisa vai correr mal. É talvez esta a mudança de mentalidade mais importante que observo. Durante muito tempo, pensámos a segurança como proteção: erguer barreiras, reduzir a probabilidade de um incidente, evitar que acontecesse. Esse trabalho continua a ser preciso, mas já não chega. Porque a pergunta deixou de ser "como evito que aconteça" e passou a ser "como continuo a trabalhar quando acontecer". Parece uma diferença subtil. Não é. Muda tudo na forma como uma empresa se prepara.