A velocidade de adoção impressiona. Em 2025, 20% das empresas da União Europeia já utilizavam tecnologias de Inteligência Artificial, face a 13% no ano anterior. No entanto, existe uma diferença significativa entre experimentar uma ferramenta e integrar verdadeiramente a IA no negócio. 

É aqui que começa a separar-se a curiosidade da estratégia. 

Durante algum tempo, utilizar IA foi, por si só, um fator diferenciador. Hoje, qualquer empresa consegue aceder, em poucos minutos, a ferramentas capazes de gerar conteúdos, analisar informação, resumir documentos ou apoiar tarefas administrativas. Quando a tecnologia fica disponível para todos, o simples acesso deixa de constituir uma vantagem competitiva. 

A diferença passa a estar aquilo que cada organização consegue fazer com ela. 

Integrar IA não significa acrescentar mais uma aplicação ao conjunto de ferramentas utilizadas diariamente. Significa identificar tarefas repetitivas, informação difícil de encontrar, processos lentos ou decisões que podem ser mais bem suportadas por dados. Significa, a partir daí, repensar a forma como o trabalho é realizado. 

Os dados mostram que ainda existe um caminho significativo a percorrer. Apesar da rápida disseminação da tecnologia, apenas 7% das empresas da área do euro utilizam a IA de forma intensiva. As organizações que conseguem integrá-la nos processos centrais do negócio são também as que demonstram maior capacidade para converter tecnologia em produtividade e inovação. 

Para as PME, esta discussão é particularmente relevante. Com estruturas mais pequenas e recursos limitados, a IA pode permitir-lhes fazer mais sem aumentar os custos ao mesmo ritmo. Pode ajudar a automatizar tarefas administrativas, acelerar a análise de informação, apoiar as equipas comerciais, melhorar o serviço ao cliente e tornar os processos internos mais eficientes. 

Mas existe também o risco contrário: acrescentar tecnologia sem resolver os problemas que já existiam. 

Uma empresa com informação dispersa, processos pouco claros e sistemas que não comunicam entre si não se torna automaticamente mais eficiente por introduzir Inteligência Artificial. Em alguns casos, limita-se a executar mais depressa processos que já eram ineficientes. 

É por isso que a qualidade e a organização da informação assumem uma importância estratégica. A IA será tanto mais útil quanto mais sólida for a base sobre a qual opera. Dados acessíveis, informação estruturada, sistemas integrados, segurança e regras claras de utilização deixam de ser apenas temas tecnológicos. Tornam-se condições essenciais para competir. 

O mesmo se aplica às competências. Saber utilizar uma ferramenta será importante, mas não será suficiente. As organizações precisarão de pessoas capazes de fazer as perguntas certas, avaliar criticamente as respostas, compreender o negócio e identificar as áreas em que a tecnologia acrescenta efetivamente valor. Pensamento crítico, capacidade de adaptação, conhecimento do negócio e literacia tecnológica terão de coexistir. 

Num contexto económico e geopolítico instável, esta capacidade torna-se ainda mais relevante. As empresas precisam de ganhar agilidade sem aumentar continuamente as suas estruturas e os seus custos. A IA pode contribuir para esse objetivo, mas não substitui a estratégia, os processos nem o conhecimento. 

Talvez seja esse um dos maiores desafios empresariais para 2027: resistir à pressão de adotar tecnologia apenas porque todas as outras empresas o estão a fazer. 

A próxima fase da Inteligência Artificial nas empresas será menos marcada pela experimentação e mais pela capacidade de escolha. Escolher onde investir, o que automatizar, que informação organizar, que riscos aceitar e que competências desenvolver. 

Porque, quando todos têm acesso à mesma tecnologia, a verdadeira vantagem competitiva já não está na ferramenta. Está na forma como cada empresa a integra, orienta e transforma em valor. 

Fontes: 

Eurostat — Digitalisation in Europe 2026: é daqui que vêm os dados de que, em 2025, 20% das empresas da UE utilizavam IA, face a 13% em 2024, e de que a utilização era de 55% nas grandes empresas e 19% nas PME. European Commission 
Eurostat — Digitalisation in Europe 2026 

Eurostat — 20% of EU enterprises use AI technologies: fonte mais específica para o dado da evolução anual. O valor exato é 20,0% em 2025 vs. 13,5% em 2024, considerando empresas da UE com 10 ou mais trabalhadores. European Commission 
Eurostat — AI use in EU enterprises 

Banco Central Europeu (BCE) — “What separates firms that use AI intensively from firms that don’t?”, 24 de junho de 2026: daqui vem o dado de que apenas 7% das empresas da área do euro fazem uma utilização intensiva/significativa da IA. O estudo baseia-se no SAFE, com mais de 5.000 empresas. É também daqui que vem a ideia de que as empresas que aplicam IA nos processos centrais do negócio tendem a gerar mais valor do que aquelas que a limitam a tarefas periféricas ou rotineiras. European Central Bank 
BCE — What separates firms that use AI intensively from firms that don’t? 

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